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Neguinho da Beija-Flor celebra 10 anos de casamento na Avenida e cura de câncer

Há dez anos, Neguinho da Beija-Flor se casava na Sapucaí e comemorava cura de um câncer
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Cantor e a mulher lembram o diagnóstico da doença e apoio que receberam no casamento e desfile que aconteceram no carnaval de 2009. Beija-Flor canta os 70 anos de sua própria história no desfile deste ano.
Por Cristina Boeckel, G1 Rio
‘A vida é boa, eu nasci de novo’, diz Neguinho da Beija-flor 10 anos após câncer
Quando a Beija-Flor entrar na avenida com um enredo para celebrar seus 70 carnavais, Neguinho também celebrará a sua própria história. Não apenas com a escola que o consagrou e que leva no próprio nome, mas em uma vitória pessoal. Há dez anos, ele estava na reta final do tratamento de um câncer de intestino e com a companheira grávida quando oficializou a união em plena Marquês de Sapucaí, palco de muitas de suas conquistas.

“A vida é boa, eu nasci de novo. Eu tive essa oportunidade”, destacou Neguinho.
A doença foi descoberta alguns meses antes. Como em muitos casos, quem desconfiou e o levou ao médico foi a esposa. Neguinho nunca gostou de frequentar consultórios. Dez anos depois do tratamento, ele fez questão de receber o G1 para ajudar conscientizar a população sobre a importância dos cuidados com a saúde e da procura de profissionais caso alguma coisa esteja errada.

“Eu falei para ela o que estava se passando. Eu ia no banheiro, notei um sangramento, prisão de ventre, essas coisas. E ela já teve na família este tipo de problema. Um dia eu fui e sangrou bastante. Eu a chamei para ver. Ela correu nos guardados dela e começou e achou o telefone de um médico”, explicou o cantor.

Elaine, a mulher de Neguinho, estava grávida da filha do casal nessa época e já tinha passado por maus momentos com o pai, que permaneceu internado por um ano e meio com problemas de saúde. Ele era diabético e teve uma hemorragia digestiva que não cicatrizava. De quebra, ainda enfrentou uma complicação pulmonar. Mas ele se recuperou e ainda viveu por mais 14 anos.

“No primeiro momento, quando nós descobrimos que ele estava doente, passou pela minha cabeça: ‘Será que ele vai ver a nossa filha nascer?’ e foi bem difícil. Eu segurei a onda. Ele estava passando por esse processo, recebendo essa notícia. E eu não poderia fraquejar naquele momento. Eu estava ali para dar o suporte, o amparo. Desistir jamais”, contou Elaine ao G1.

O susto
Os tumores diagnosticados no intérprete eram dois: um tinha cinco centímetros e outro era do tamanho de um grão de milho. No processo pela cura, ele passou por uma cirurgia, quimio e radioterapia no processo em busca da cura, que durou um ano.

Neguinho não bebe e nunca usou drogas. Curiosamente, o período que passou pelo tratamento penoso é tratado com um sorriso estampado no rosto que o fez famoso entre o público.

“Essa doença tem que ser encarada da seguinte forma: tem que procurar só coisa positiva. E o que é coisa positiva na minha vida? É o desfile, é estar na avenida e com a pessoa que a gente ama. Eu só procurava coisas para cima no período do tratamento”, explicou Neguinho da Beija-Flor.

Casamento em plena avenida
O cantor já queria oficializar o relacionamento. A ideia de casar na Sapucaí surgiu em um dia de descanso.

“Estávamos assistindo um programa de televisão e vimos casamentos diferentes. Um casal saltando de um avião de paraquedas, outro trocando alianças em um mergulho no fundo do mar, outro alpinista subindo e lá em cima eles casando. Aí eu falei para ela: ‘Poxa, taí uma ideia’”, contou o cantor, sobre casar no palco onde brilhou tantas vezes.

Mas casar na maior passarela do samba do mundo não é tão fácil assim. Os proclamas já estavam correndo e a ideia de casar na Sapucaí surgiu cerca de dois meses antes da cerimônia. Foi necessária uma autorização especial da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa).

A cerimônia aconteceu no dia 22 de fevereiro de 2009, depois do desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel e antes da entrada da Beija-flor na Sapucaí. Ele teve dez minutos para casar, diante dos holofotes no primeiro recuo da bateria. A filha tinha nascido há pouco tempo e estava ao lado dos pais.

Naturalmente, pela curiosidade e acúmulo de pessoas, o rebuliço ao redor da festa foi maior que o esperado e a escola demorou um pouco mais para começar o desfile.

Em seguida, o intérprete não abriu mão de cantar o samba-enredo da Beija-flor naquele ano. Ele subiu ao carro de som na companhia de Elaine e do médico.

“Agradeço a Deus e a todos que rezaram e continuam orando pela minha recuperação”, fez questão de dizer antes de mandar o “Olha a Beija-flor aí gente!”, que imortalizou na avenida.

Naquele ano, a Sapucaí estava cheia de celebridades. Roberto Carlos estava lá. E o então presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, estava no camarote do Governo do Estado do Rio de Janeiro em companhia do então governador Sérgio Cabral. Atualmente ambos estão presos.

Lula participaria da cerimônia, mas o tumulto o impediu de descer. Neguinho foi até o camarote ao fim do desfile da Beija-flor.

Em 2009, a Beija-flor ficou na segunda colocação, com o enredo “No chuveiro da alegria, quem banha o corpo lava a alma na folia”, mas a superação teve gosto de vitória. Ele não pode voltar a desfilar no sábado das campeãs, por recomendações médicas.

Dez anos depois, Neguinho também se prepara para celebrar os seus 70 anos em 2019, assim como a escola que leva no nome.

Consciência para o público
Dez anos depois, Neguinho se prepara para embalar os integrantes e público mais uma vez. Ele também se sente homenageado com o enredo “Quem não viu vai ver...As fábulas do Beija-flor” que vai apresentar na Sapucaí este ano e que fala sobre os 70 anos da própria Beija-flor. Em todos os 14 títulos no Grupo Especial, ele foi a voz da escola.

Atualmente, Neguinho e Elaine seguem casados. Luiza Flor, a bebê que participou do casamento dos pais na passarela do samba, já tem dez anos. A família acredita que cada momento valeu apena para chegar até aqui.

“Passa um filme na sua mente de tudo o que passou, aquela incerteza. Mas, acima de tudo, a fé em Deus foi fundamental”, explicou Elaine.

O casal também ajuda a conscientização da população sobre os fatores de risco para o câncer e a necessidade de procurar um tratamento. Eles são parte da campanha Vontade de Viver, promovida pelo Ministério da Saúde desde o ano passado.

Elaine Reis reconhece que o sistema de saúde tem problemas, mas recomenda que as pessoas que observarem qualquer problema não desistam de buscar ajuda e do tratamento.

“A acessibilidade a saúde é um problema triste. Quando ele soube da doença, ele ficou primeiro com aquele choque. Mas o mais importante de tudo é que ele compartilhou isso com o público. E todos deveriam fazer isso, porque tem muita gente que guarda e sofre sozinho. Nesse momento, compartilhar ajuda a amenizar essa dor. E as pessoas não devem se automedicar, tem que procurar o problema para achar a solução”, contou a esposa do cantor.

Fazendo um balanço, Neguinho da Beija-flor olha para trás e acredita que cada momento desses dez anos após o pesadelo do câncer valeram a pena.

“Muitos tiveram um câncer na mesma região e não estão aqui. Eu graças a Deus estou aí”, finalizou o cantor.

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