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Assim foi o eclipse solar no Chile: 2 minutos e 36 segundos de escuridão

Vista do eclipse a partir do Observatório de La Silla, em La Higuera, na região de Coquimbo, no Chile. — Foto: Martin Bernetti/AFP
Uma faixa de 150 quilômetros do norte do país vizinho foi coberta pela sombra do astro.
O único eclipse solar total de 2019 aconteceu nesta terça-feira à tarde e pode ser acompanhado ao vivo. Uma faixa de 150 quilômetros entre o norte de Chile e o centro-norte da Argentina foi abarcada pela escuridão, no que é considerado o maior evento astronômico do ano. 

O eclipse solar deste 2 de julho, iniciado no Pacífico, pôde ser observado em sua totalidade em boa parte de Chile e parcialmente no Brasil. 
A "zona zero" situa-se nas regiões de Coquimbo e Atacama, onde o dia luminoso deu passo a uma breve noite de 2 minutos e 36 segundos. 
A pequena localidade de La Serena, onde se encontra o Observatório de  La Silla, foi o epicentro do eclipse.

Horizonte dourado, visitantes emocionados e queda da temperatura: saiba como foi ver o eclipse no Chile
G1 esteve no Observatório La Silla nesta terça-feira e presenciou 1 minuto e 52 minutos de escuridão ao lado de convidados.
Por Carolina Dantas, G1 — La Higuera, Chile

Em questão de segundos, a temperatura despencou. Ainda não saíram as medições meteorológicas, mas é possível dizer que foram mais de 10ºC. Os visitantes olhavam fixamente para o céu, quando o “dia passou a ser noite” por 1 minuto e 52 segundos. Assistir a um eclipse solar total é uma experiência única- como todos repetiram depois. Mais emocionante ainda é ver todos felizes ao redor.

Nesta terça-feira (2), o norte do Chile e uma parte da Argentina presenciaram ao fenômeno. O G1 e a TV Globo assistiram no Observatório La Silla, um dos melhores lugares para o fenômeno, na cidade de La Serena. O conjunto de telescópios fica a 2,5 mil metros de altitude. O céu estava limpo. Nenhuma única nuvem.

A versão parcial começou às 15h22 local, 16h22 no Brasil. Os visitantes tiraram os óculos especiais do bolso e começaram a assistir. Nesta fase é difícil fotografar sem uma câmera especial. Por isso, a maior parte das pessoas estava gravando com a ajuda de um filtro ou telescópio.

Às 16h39, a temperatura já tinha despencado e estava como é normalmente à noite na região da La Serena. Todos passaram a aplaudir, tiraram os óculos e viram o “dia virar noite” com um horizonte dourado. Mais uma vez: nenhuma única nuvem.

Emocionada, a chilena Mabel Gutierrez estava com o filho, Maximiliano Castro. Parou um instante para falar com o G1: “Foi uma experiência única, foi muito emocionante. Eu e meu filho compartilhamos uma experiência que não podíamos ter tido em nenhum outro lugar”.

É difícil, mesmo, ter essa experiência em outro lugar. Nos últimos 50 anos, de acordo com o Observatório Europeu do Sul (ESO), só foi possível assistir a um eclipse solar total duas vezes: uma em 1961, no L'Observatoire de Haute-Provence, na França; e em 1991, no Mauna Kea, no Havaí.

Presidente do Chile
O presidente Sebástian Piñera assistiu ao eclipse no Observatório, junto com a direção do ESO.

“Literalmente, somos pó das estrelas. Por que boa parte da matéria que compõe nosso corpo vem das estrelas. E o Chile é hoje em dia a capital do mundo quando se fala de astronomia. Nós somos os olhos e os sentidos da humanidade para poder observar e estudar as estrelas”, disse.

No La Silla, é possível visitar um telescópio “caçador de planetas”. Com 3.5 metros de espelhos, pesando 30 toneladas, ele foi responsável pela descoberta do Proxima B, exoplaneta mais próximo do nosso Sistema Solar e alvo de pesquisas por ter algumas características mais próximas à Terra. Foi criado na década de 1970.

“Até o ano de 1989, era um telescópio regular, mas o tempo passou e aumentou a tecnologia, com os computadores. Então, ele ganhou outra funcionalidade: buscar planetas. É um buscador de exoplanetas por velocidade radial de alta precisão”, disse um porta-voz do ESO.

Caminho até o Observatório
Às 5h da manhã, as estradas de La Serena já estavam movimentadas. Como o Observatório recebeu apenas 1 mil convidado e vendeu ingressos a US$ 2 mil, a maior parte dos turistas assistiu ao fenômeno na parte aberta do deserto do Atacama. Uma estrutura foi montada na estrada próxima ao La Silla.

Eram carros e barracas por todos os cantos. Muitos visitantes já estavam no local desde o final de semana para garantir o melhor lugar. Foram recebidos mais de 200 mil pessoas – a população da região quase dobrou.

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