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Incêndio atinge Terra Indígena Arariboia onde líder indígena foi morto no Maranhão

Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, sofre queimada — Foto: Divulgação / Governo do Maranhão
Cerca de 60 brigadistas entre indígenas e não indígenas trabalham para conter o fogo. A causa da queimada ainda vai ser determinada.
Por G1 MA — São Luís, MA
Um incêndio na Terra Indígena Araribóia começou na tarde desta terça-feira (5) e atingiu cerca de 45 km de serra, segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Aproximadamente 60 brigadistas entre indígenas e não indígenas trabalharam para conter o fogo.

Não há informações de pessoas feridas por conta do incêndio. A causa da queimada ainda vai ser determinada.
Paulo Paulino “Lobo Mau” Guajajara morreu no local — Foto: Sarah Shenker/Survival International

O local atingido pelo fogo fica na mesma reserva onde aconteceu uma emboscada feita por madeireiros na última sexta-feira (1º), que terminou com a morte do líder indígena Paulo Paulino Guajajara, integrante dos 'Guardiões da Floresta', um grupo formado por índios para proteger o território das etnias Guajajara, Kaapor e Awa-Guajá, no Maranhão.

Nesta emboscada, outro integrante dos 'Guardiões da Floresta', Láercio Guajajara, foi ferido a tiros, mas sobreviveu. O madeireiro Márcio Greykue Moreira Pereira também morreu no confronto.

De acordo com a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (SEDIHPOP), os índios Láercio Guajajara, Olímpio Guajajara e Auro Guajajara, que integram o grupo 'Guardiões da Floresta', foram retirados com seus familiares da reserva sob proteção policial seguindo para endereços sigilosos.

Protestos
Após a morte de Paulino Guajajara, lideranças indígenas realizaram um protesto na Câmara Municipal de Imperatriz, município localizado a 629 km de São Luís. Os indígenas ocuparam o plenário e denunciaram a falta de ação das autoridades para impedir a atuação de madeireiros nas Terras Indígenas.

Os indígenas afirmam que a falta de segurança na área aumenta o risco de conflitos armados. As comunidades alegam que após morte de Paulino, o clima na área é de muita tensão e medo.

Situação já havia sido denunciada
A situação na Terra Indígena Araribóia já havia sido denunciada pelo grupo indígena que acusava os madeireiros de ameaça. Segundo os indígenas, o clima de tensão aumentou após a apreensão de veículos utilizados na extração ilegal de madeira nas terras indígenas.

A Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihop) também já havia alertado em setembro, por meio um ofício enviado ao Ministério da Justiça e à Fundação Nacional do Índio (Funai) sobre as ameaças e ações ilegais de criminosos ambientais na Terra Indígena Governador, localizada a 93 km da Terra Indígena Araribóia, local onde Paulino Guajajara foi morto.

O documento pedia em caráter de urgência a adoção de medidas de proteção aos indígenas. Segundo o secretário Francisco Gonçalves, nenhum retorno foi dado ao governo estadual.

Autoridades se manifestam
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), editou o decreto ‘Força-Tarefa de Proteção à Vida Indígena (FT-Vida)’ que tem como objetivo colaborar com os órgãos federais, responsáveis pelas terras indígenas, no combate à proteção das terras e dos índios ‘Guardiões da Floresta’.

A coordenação da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Imperatriz, anunciou que a presidência da fundação deve pedir a ajuda da Força Nacional para a ocupação da região onde Paulo Paulino Guajajara foi morto.

Já o Ministério Público Federal no Maranhão (MPF-MA) informou que está aguardando o resultado das investigações da Polícia Federal (PF) para tomar as medidas judiciais cabíveis.

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